25/07

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Juliana Proserpio

Minom Pinho

Luciana Guilherme

Luciana Guilherme

Resumo do 5° Dia (25/7)

No quinto dia do Papo de Negócio Sebrae 2014, 25 de julho, as convidadas continuaram comentando temas referentes à economia criativa.

Vale lembrar que os produtos criativos e culturais também ganharam destaque em um evento presencial realizado pelo Sebrae nesta quinta-feira, em São Paulo. Duas das convidadas do Papo de Negócio Sebrae 2014 participaram do encontro: a co-fundadora e diretora de criação da empresa Design Echos, Juliana Proserpio, e a diretora de Empreendedorismo, Gestão e Inovação da Secretaria da Economia Criativa, no Ministério da Cultura, Luciana Guilherme.

Outros especialistas e profissionais do Sistema Sebrae também estiveram presentes no evento para compartilhar experiências e debater sobre estratégias que podem ser adotadas pelo mercado criativo para a Copa do Mundo FIFA 2014.

Confira abaixo o resumo do penúltimo dia desta edição do Papo de Negócio Sebrae 2014.

Minom Pinho

Minom Pinho, consultora, produtora cultural e sócia-diretora da Casa Redonda Cultural, respondeu uma pergunta sobre como as classes menos favorecidas  podem se beneficiar dos fluxos da economia criativa. Segundo ela, “a economia criativa propõe a criação de novos fluxos econômicos a partir da criatividade”, acrescentando que o crescimento dessa economia no PIB traz como resultado imediato a geração de empregos ou oportunidades de trabalho nas cadeias criativas que estão crescendo e se estabelecendo no País.

Outro aspecto ressaltado pela consultora é referente ao aproveitamento dos arranjos criativos locais. “Quando você pensa em arranjos criativos locais, em cadeias criativas locais, tendo a singularidade, a diversidade, esses pulsos criativos do território como valor, inevitavelmente, você passa a contar com mais desenvolvimento descentralizado”, afirmou, lembrando que o empreendedor precisa estar preparado para aproveitar as novas oportunidades da economia criativa.

De acordo Minom Pinho, quando são trabalhados conjuntos de pequenos empreendedores ou de novos artistas ou de pessoas que prestam serviço para essas cadeias, a tendência é beneficiar classes menos favorecidas.

Segundo a consultora, é preciso pensar nas potências que as pessoas das classes menos favorecidas têm em cultura, em manifestações e também nas possibilidades que elas têm de se articular em fluxos periféricos, em fluxos rurais, em pequenas ou grandes cidades, em estruturas onde a criatividade, a inovação, a singularidade pode ganhar e gerar novas oportunidade de atuação profissional e, consequentemente, de renda.

Luciana Guilherme

Neste quinto dia de evento, a diretora de Empreendedorismo, Gestão e Inovação da Secretaria da Economia Criativa, do Ministério da Cultura, Luciana Guilherme, iniciou seu vídeo respondendo um questionamento sobre as principais linhas de crédito direcionadas aos empreendimentos criativos. “No que se refere à linha de crédito, aqui no Brasil, a gente está em um momento muito inicial. Quando a gente fala de setores criativos, a gente fala de empreendimentos que trabalham com bens simbólicos, bens e serviços simbólicos. E, hoje, a gente tem um grande problema no sentido de os bancos entenderem das dinâmicas econômicas desses setores”, afirmou. Segundo ela, os bancos precisam entender dessa dinâmica para conseguir estabelecer taxas de juro e compreender a capacidade de resposta desses empreendimentos no pagamento e na tomada de risco.

De acordo com a diretora, o que já está pronto para ser trabalhado é o microcrédito orientado, que trabalha com valores pequenos, de R$ 500,00 a R$ 15.000,00. Bancos estatais, como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, por exemplo, possuem bilhões de reais voltados para o microcrédito orientado. “Esses recursos já estão disponíveis, com taxas baixas e possíveis para os profissionais criativos”, lembrou.

Luciana Guilherme destacou, no entanto, que as pessoas desconhecem esse tipo de crédito e suas possibilidades de acesso. “Esse crédito, por exemplo, pode ser acessado por pessoas físicas, não é necessário que seja pessoa jurídica”, disse. Além disso, segundo ela, há um desconhecimento dos próprios bancos sobre o potencial dos setores criativos.

Com relação à ampliação de linhas de crédito de valores maiores, será preciso fazer uma discussão mais profunda sobre fundos garantidores e sobre estratégias que deem suporte aos profissionais criativos. “Esse é o início de um trabalho e a gente acredita que, a médio e longo prazo, a gente venha a resolver essas questões”, afirmou.

A segunda pergunta foi referente ao trabalho desenvolvido pela Secretaria da Economia Criativa no sentido de unir as diversas iniciativas dos principais atores envolvidos no desenvolvimento da economia criativa. A diretora afirmou que, por ser uma secretaria com uma temática transversal, ela já nasce embasada na capacidade de articulação. “A gente não vê a economia criativa como uma temática cujo lócus se restringe ao ambiente da cultura”, falou. Para ela, a economia criativa precisa ser tratada na perspectiva dos órgãos de cultura, de ciência e tecnologia, de desenvolvimento econômico, de trabalho e de educação. “O que a Secretaria tem feito é promover essas articulações”.

Luciana Guilherme ressaltou que a economia criativa é intersetorial e não tem como ser desenvolvida como política pública de fomento se não estiver associada a diferentes parceiros, sejam eles do poder público, da sociedade civil ou de grandes instituições, como agências de desenvolvimento e institutos de pesquisa.

A terceira dúvida foi sobre as iniciativas da Secretaria de Economia Criativa direcionadas para a Copa do Mundo FIFA 2014. Luciana Guilherme comentou que a Secretaria faz parte de um grupo de trabalho do Ministério da Cultura, que está trabalhando em ações de promoção da cultura brasileira. “O grande potencial da Copa está na vitrine que é dada ao Brasil, sobre como o Brasil passa a ser percebido e reconhecido por outros países”, reforçou.

A diretora destacou ainda que toda e qualquer ação da Secretaria voltada para a formação do profissional criativo é também uma ação voltada para a Copa do Mundo FIFA 2014. Neste caso, são tratados aspectos como qualificação do trabalho e da gestão, além da compreensão da diversidade brasileira como elemento simbólico gerador de diferenciação e competitividade.

“A Copa do Mundo acaba sendo um bom motivo para algo que é preciso ser trabalhado em médio e longo prazo. O Brasil precisa se qualificar, os profissionais criativos precisam ampliar sua capacidade de gestão e realmente oferecer produtos competitivos no mercado brasileiro e internacional”, ressaltou.

Em seguida, Luciana Guilherme comentou um questionamento sobre as perspectivas futuras para a economia criativa no Brasil. Para ela, “as perspectivas são as melhores possíveis”, tendo em vista que o Brasil institucionalizou as políticas de economia criativa, criando uma secretaria e trazendo o tema para o debate também nas esferas estaduais e municipais.

“Lógico, esse é um trabalho que está só começando. As perspectivas, na verdade, se consolidarão como positivas na medida em que as pessoas, as instituições, os órgãos de governo, os empresários, os profissionais percebam a força dessa economia e trabalhem para isso. A gente tem realmente uma expectativa muito positiva nesse sentido”, afirmou.

Outra pergunta foi referente aos eixos econômicos que têm recebido maior volume de investimentos e políticas direcionadas. Luciana Guilherme respondeu que esses eixos econômicos ainda estão muito atrelados às grandes indústrias. Ela lembrou que Secretaria da Economia Criativa vem justamente para enfrentar esse debate, uma vez que seu foco está nos pequenos negócios, na inclusão produtiva, na diversidade cultural.

Por último, a diretora explicou quais são os principais objetivos do Observatório da Economia Criativa. O Observatório tem como propósito buscar informações, compreender a economia criativa e identificar os atores que estão presentes nessa economia. “O Observatório vem para consolidar informações de várias fontes. Ele surge com o objetivo de coordenar e conduzir uma rede de observatórios estaduais de economia criativa”, completou.

Com isso, o Observatório ajuda o profissional criativo a ampliar seu conhecimento sobre o setor que atua, bem como as dinâmicas econômicas e as oportunidades que estão surgindo na área. “A gente acredita que o Observatório vai conseguir entregar a esse profissional essas informações, para que ele possa desenvolver sua atividade com muito mais sucesso, com muito mais efetividade”, finalizou.

Juliana Proserpio

A primeira pergunta respondida pela empresária e consultora em inovação social, Juliana Proserpio, no quinto dia de evento, foi: “quais os principais desafios sociais para a Copa”?

Juliana respondeu que acredita que esses desafios serão boas oportunidades de negócio. Ela comentou que na Copa teremos diversos desafios, muitos ligados dia-a-dia do Brasil. “Eu acho que a Copa e os esportes servem para promover a igualdade entre todos, entre diferentes etnias, pessoas e países. Por isso, acho que uma grande oportunidade para esse momento seria pensar em trabalhar negócios de inclusão e transformar esses negócios em rentáveis e lucrativos. Além disso, na Copa, vamos perceber que existem várias necessidades que antes não eram vistas porque o fluxo era menor. Com o megaevento, os problemas do trânsito, da segurança, da educação serão amplificados. Ou seja, os problemas que temos hoje vão crescer e essa será uma oportunidade para criar negócios que ajudem a solucionar esses problemas. Vamos ver isso de forma positiva”.

A segunda pergunta para Juliana foi: “pode dar um exemplo que você vivenciou da aplicação do método de Design Thinking em uma empresa criativa?”

Juliana destacou que o último projeto finalizado pela sua empresa foi em Aparecida do Norte (SP) e o desafio era construir um hub social que incentivasse a economia criativa. E explicou que primeiramente foi feito um entendimento do que significava a cidade, quais eram suas necessidades e motivações. Fez parte do escopo de pesquisa do trabalho, segundo Juliana, estudar outras cidades com a mesma motivação religiosa de Aparecida do Norte e como essas cidades conseguiram levar essa motivação para a economia. Bons exemplos são as cidades Roma e Santiago de Compostela, na Europa. E destacou: “fizemos o que chamamos de pesquisa de empatia e algumas imersões em Aparecida para realmente entender quais eram as necessidades daquele local.”

Algumas características da cidade mereceram a atenção. Por exemplo, a cidade, que possui apenas 35 mil habitantes, em determinadas épocas recebe cerca de 250 mil pessoas. “A cidade foi chamada de ‘cidade de estria’ por ter a característica de inchar e desinchar muito, como uma pessoa que engorda e emagrece muito e por isso acaba tendo estrias”.

Nesse processo, outras necessidade foram identificadas. Uma delas é que a cidade é muito baseada na economia do turismo religioso. Apesar de não ser uma característica ruim, é preciso que novas oportunidade sejam criadas para os jovens que vivem na cidade.

E destacou: “desenvolvemos diversas soluções e duas delas vão ser implementadas agora e vão justamente incentivar a geração e o fomento da economia criativa na cidade”.

Uma das ideias é fazer com que as pessoas troquem conhecimento em um espaço de co-learning, onde qualquer um pode ensinar e aprender. Com isso, é possível enxergar quem realmente deseja gerar uma transformação e quais são os desejos dessas pessoas em inovar e fazer novos negócios. A partir daí, vão surgir novos negócios ligados à economia criativa que serão incentivados nesse próprio espaço.

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