24/07

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Juliana Proserpio

Minom Pinho

Minom Pinho

Luciana Guilherme

Resumo do 4° Dia (24/7)

No quarto dia do Papo de Negócio Sebrae 2014, 24 de julho, as convidadas continuaram tirando dúvidas sobre o tema Produtos Criativos e Culturais voltados para a Copa do Mundo FIFA 2014.

O assunto também ganhará destaque em um evento presencial realizado pelo Sebrae nesta quinta-feira, dia 25 de julho, em São Paulo. No encontro, profissionais do Sistema Sebrae, especialistas e compradores vão compartilhar experiências e apontar que produtos diferenciados terão forte apelo de consumo durante a Copa do Mundo FIFA 2014. O horário marcado é das 10h às 16h.

O evento também será transmitido aqui no site Papo de Negócio Sebrae 2014. Não deixe de acompanhar!

Você pode participar mandando sua pergunta para nossos convidados ou votando nas perguntas do seu interesse.  Para mandar sua pergunta, clique aqui.

Minom Pinho

Em um dos vídeos publicados no quarto dia de evento, Minom Pinho, consultora, produtora cultural e sócia-diretora da Casa Redonda Cultural, abordou a questão da formação profissional na área cultural e criativa. Ela lembrou que, no Brasil, mesmo em cursos ligados às linguagens culturais e criativas – dança, música, audiovisual, artes cênicas e artes visuais –, ainda existe um déficit na formação com relação aos temas de gestão e empreendedorismo, tendo em vista que nem todo mundo que se forma nesses cursos vai se tornar artista ou acadêmico. “Algumas pessoas vão empreender e vão atuar nos mercados e nos fluxos econômicos e profissionais disponíveis nas áreas cultural e criativa”, afirmou.

De acordo com a consultora, “quanto mais o tempo passa, mais fica patente essa necessidade”. Ela afirmou que, aos poucos, isso vai se resolvendo.  O entendimento de que é preciso formar profissionais para atender essa nova fatia de mercado, vinculada à economia criativa, é muito novo ainda.

Para quem realmente está interessado em estabelecer sua formação nessa área, existem cursos específicos não somente nas áreas de gestão cultural e produção cultural, mas também de formação de corpo técnico para atender às cadeias ou indústrias.

Minom Pinho reforçou, no entanto, que a formação não depende apenas de cursos de graduação ou pós-graduação. A formação deve se estender permanentemente ao longo da vida profissional. Ela lembrou que as novas tecnologias podem ajudar nesse propósito, citando como exemplo as redes sociais e também possibilidade de pesquisar temas específicos na internet, de comprar um conjunto de livros e de fazer cursos. Lembrou também que o Sebrae tem vários programas de apoio a esses novos empreendedores.

Segundo a consultora, é a disposição de aprender permanentemente ao longo da vida ou da atuação empreendedora que vai fazer a diferença, trazendo inovação e atualização profissional.

Para Minom Pinho, a formação não deve depender apenas do incentivo público. O incentivo público deve existir, mas o profissional também precisa buscar a formação por diferentes caminhos. Ele lembrou ainda que existem vários cursos gratuitos nessa área.

Em outro vídeo, Minom Pinho falou sobre financiamento de negócios, projetos e empreendimentos criativos. Ela ressaltou que, na economia criativa, existem diferentes possibilidades de financiamento e também diferentes modos de operar e empreender.

De acordo com a empresária, quando se lida com recursos infinitos como a criatividade humana, o empreendedor sai da lógica da escassez, vinculada a recursos finitos, como o financeiro e o material, e entra na lógica da abundância, lembrando que “o homem cria, inova e se expressa desde que a humanidade existe”. E acrescenta: “quando você passa a focar os fluxos econômicos em um bem infinito, que é a criatividade, você sai completamente da lógica da escassez, o que faz com que você saia do aprisionamento da competição”.

Quando o empreendedor consegue sair da lógica do “sem dinheiro eu não faço nada”, ele começa a olhar outras possibilidades de recursos presentes. É possível, segundo a consultora, empreender encima de outros tipos de ativos, que não sejam exclusivamente os financeiros, o que acaba trazendo muitas outras possibilidades de investimento. Minom Pinho citou como exemplo as modalidades colaborativas, como as redes de parcerias, que podem ajudar no desenvolvimento de um projeto, e as trocas de conhecimento ou produtos entre empreendedores em um território.

Minom Pinho também comentou sobre o funcionamento dos sites de financiamento colaborativo, as plataformas de crowdfunding. Neste caso, o empreendedor cultural e criativo passa a contar com o apoio de pessoas que acreditam na importância do projeto e querem vê-lo acontecer. A consultora lembrou que, para isso, o empreendedor precisa ter um excelente projeto e cadeias instaladas. Além disso, precisa inspirar as pessoas e prever um repertório de participação dessas pessoas no projeto ou no empreendimento.

Sobre as possibilidades de viabilização de um projeto ou negócio criativo e cultural, a consultora propôs uma reflexão sobre o aproveitamento dos diferentes recursos de um território, para além dos recursos econômico e financeiro. “Como, a partir da colaboração, a gente consegue entender esses múltiplos recursos presentes em um território, presente em cadeias criativas, em redes criativas instaladas no território ou na sua cadeia de contatos, para viabilizar coisas por outras lógicas”.

Ainda sobre o aspecto da colaboração, Minom Pinho cita o conceito das moedas criativas, que diz respeito à troca de recursos, saberes e conhecimento e não somente de dinheiro. O empreendedor pode participar de uma espécie de banco de colaboração, no qual ele pode contribuir com seu conhecimento, produto ou serviço e também usufruir de uma série de outros recursos e serviços que fazem parte da cadeia criativa.

A consultora sugeriu que os empreendedores pesquisem os diferentes formatos de financiamento colaborativo. Segundo ela “esses formatos têm a potência de talvez transformar um pouco essa forma como a gente empreende”.  O incentivo é para que os empreendedores tentem alavancar seus projetos a partir da participação em cadeias culturais e criativas presentes nos territórios.

 Luciana Guilherme

A primeira pergunta respondida pela diretora de Empreendedorismo, Gestão e Inovação da Secretaria da Economia Criativa, no Ministério da Cultura, Luciana Guilherme, foi: “como a secretaria lida com a variedade de modelos de negócios não direcionados ao lucro existentes no setor criativo?”

Segundo Luciana, sabe-se que os modelos de negócios são diversos e dependendo do perfil do empreendimento uns serão mais adequados outros não.

Na economia criativa tem-se uma atuação desde a economia solidária até as organização com fins lucrativos. Por isso, a primeira ação da secretaria foi fazer um grande mapeamento nesse sentido. “Nosso primeiro edital Prêmio Economia Criativa contemplou novos modelos de negócio existentes e exitosos nos diversos setores criativos. Isso nos deu uma primeira abertura para mapeamento de modelos e para identificação de práticas exitosas. A partir daí, tivemos uma aproximação e um processo de formação e assessoria dos setores criativos. O Criativo Birô é um projeto que tem a função de dar suporte aos profissionais de acordo com sua realidade e também de continuar no processo de identificação de modelos”.

E acrescentou: “essa pergunta é muito bacana porque a gente nunca vai ter uma resposta única para todas as organizações dos setores criativos mas esse olhar que entenda essas especificidades e garanta a aplicação desses modelos à realidade de cada atividade”.

A segunda pergunta do bloco para Luciana foi: “quais os principais eixos estratégicos do plano da Secretaria da Economia Criativa?”.

Luciana respondeu que são cinco eixos estratégicos identificados como ponto de partida para a elaboração do plano da Secretaria de Economia Criativa. O primeiro relativo à informação. “A gente sabe que existe uma lacuna muito grande sobre dados e informações dos setores da economia criativa brasileira. É um eixo que é um desafio e estamos desenvolvendo ações nesse sentido”.

O segundo é ligado ao fomento. “Estamos aí falando de fomento financeiro, seja através de editais, de linhas de crédito e novos modelos de captação de recursos até o fomento ligado ao apoio a incubadoras e aceleradoras de empresas e à oferta de assessoria e consultoria técnica para os empreendedores e profissionais dos setores criativos.”

O terceiro eixo está ligado à formação. “A gente sabe que um grande gargalo está na área de gestão. E essa gestão não é tradicional porque se alimenta tanto de aspectos técnicos, administrativos ou de economia, sociologia, estatística mas é uma gestão que compreende o campo criativo, suas dinâmicas, sua economia e seus atores”.

O quarto eixo do plano, Luciana também indicou como um desafio. Está ligado aos marcos legais. “Fizemos um grande levantamento dos marcos legais dos setores criativos brasileiros e identificamos tanto inadequação como a ausência de outros marcos legais que representam uma gama de direitos que precisam ser trabalhados, repensados e ampliados.

O quinto e último eixo se refere à institucionalização da economia criativa. “Pensar numa economia criativa brasileira é pensar numa formulação de políticas públicas que vão além de políticas públicas do âmbito federal. A institucionalidade precisa ser trabalhada nos estados e nos municípios. ”

A terceira questão do bloco respondida por Luciana foi: “como o mercado brasileiro responde atualmente a dimensão simbólica dos produtos e serviços criativos?”

Luciana respondeu que o mercado responde muito bem. “Hoje em dia, pensar num bem ou serviço criativo sem a dimensão simbólica associada, esse bem ou serviço acaba tendo uma demanda muito menor.

Vou dar o exemplo do artesanato. Sabemos como as identidades regionais e culturais de cada região são fundamentais nessa produção simbólica do artesanato. O problema é que muitas vezes vemos nas feiras de artesanato os mesmo produtos do Maranhão à Bahia. Isso porque começa a se perder a percepção da importância da identidade regional como valor agregado daquele artesanato.

Então, o brasileiro ou o estrangeiro que consomem os produtos culturais e criativos buscam nesses produtos o simbólico. Se não, não é um produto criativo que tem um potencial de crescimento.”

Juliana Proserpio

No quarto dia de evento, a empresária e consultora em inovação social, Juliana Proserpio, respondeu à pergunta “Como empreender e formatar um negócio social?”

Juliana respondeu que empreender e formatar um negócio social é muito semelhante a empreender um negócio comum.

“Primeiramente, é preciso pensar em uma proposta de valor, o que será oferecido ao cliente, o que vai ser entregue a esse cliente e qual o diferencial do negócio. Além disso, como se está falando de um negócio social, é preciso saber qual o impacto gerado na sociedade e o que queremos fazer com isso.”

E acrescentou: “quando se está falando de um negocio social é preciso pensar nas estruturas de custo, onde vai gastar e onde vai investir. Também tem que pensar no fluxo de receitas, onde você vai conseguir ganhar e onde vai conseguir receitas e se elas são pontuais ou permanentes.”

Juliana destacou que quando se está falando em modelo de negócio é preciso se preocupar com nove blocos.

Tem que pensar em quais são os recursos chaves, quem será contratado, qual a tecnologia a ser usada. É importante ainda se basear na atividade chave, ou seja, quais são realmente os produtos ou serviços a serem entregues. Tem que se basear também nos parceiros e em quem pode te ajudar nessa transação.

E não se pode esquecer de quem são os clientes, quem exatamente é o nicho de clientes para quem será entregue esse serviço ou produto.

O relacionamento com o cliente é outro ponto muito importante. Como se dará esse relacionamento, quais são os pontos de contato e como pode-se melhorar essa relação.

Juliana destacou ainda que é preciso pensar nos canais de distribuição e se preocupar em como chegar no cliente.

A empresária fechou sua fala lembrando que falou sobre modelos de negócios, em uma abordagem utilizada na Design Echos e na Escola Design Thinking, que se baseia no livro Modelo de Negócios Inovadores, de Alexander Osterwalder. Por fim, ela recomendou a leitura do livro a todos.

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