23/07

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Juliana Proserpio

Minom Pinho

Luciana Guilherme

Resumo do 3° Dia (23/7)

Leia o resumo do terceiro dia do Papo de Negócio Sebrae 2014, dia 23 de julho, no qual as convidadas respondem às perguntas dos internautas sobre assuntos relacionados a “Produtos Criativos e Culturais”.

Você pode participar mandando sua pergunta para nossos convidados ou votando nas perguntas do seu interesse.  Para mandar sua pergunta, clique aqui.

Luciana Guilherme

No terceiro dia de Papo de Negócio Sebrae 2014, a primeira pergunta respondida pela diretora de Empreendedorismo, Gestão e Inovação da Secretaria da Economia Criativa, no Ministério da Cultura, Luciana Guilherme, foi: “quais as iniciativas existentes direcionadas aos microempreendedores criativos”?

Segundo Luciana, a Secretaria da Economia Criativa tem na sua missão o atendimento aos empresários donos de pequenos negócios, que correspondem à maioria dos empreendedores nesse setor no Brasil. E destacou o trabalho do Criativa Birô, um escritório de articulação de serviços para o fomento e a formação dos profissionais nos setores criativos.

“Nós estamos implantando os Criativas Birôs em 13 unidades da Federação: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Acre, Pará, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. As cinco regiões já estão recebendo essa primeira leva dos birôs em parcerias com as secretarias de cultura dos estados. A ideia é que até 2015 a gente consiga atingir as 27 unidades da federação”.

Com essa ação, a secretaria pretender dar acesso aos micro e pequenos empresários dos setores culturais e criativos à informação, à possibilidade de se qualificar em gestão, a ter acesso a crédito bancário, à obtenção de consultoria e de participar de eventos como feiras de negócios dos seus setores.

A segunda pergunta respondida por Luciana foi: “em comparação a países que são referência em investimento na Economia Criativa, qual o cenário atual do Brasil? Quais os principais obstáculos a serem enfrentados para o desenvolvimento do setor?”

Luciana respondeu que o Brasil em termos de políticas públicas está inaugurando esse processo. “A Secretaria da Economia Criativa é a primeira institucionalidade no nível nacional para formulação e implementação de política pública para o desenvolvimento dessa economia. Ela tem apenas um ano e dois meses de atuação e um longo caminho a ser trabalhado”.

Sobre os obstáculos ao desenvolvimento do setor, ela disse: “a gente identifica como obstáculo, primeiro, a questão da formação. O Brasil é um país de uma riqueza criativa inquestionável mas que ainda não consegue visualizar de forma concreta como essa criatividade se transforma em ativo econômico”.

Segundo Luciana, existem algumas pesquisas iniciadas pela Firjam (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) sobre o assunto e a secretaria, através de uma parceria com o IBGE, está desenvolvendo uma metodologia para a identificação de uma conta que define o quanto do PIB brasileiro é realmente produzido a partir desses setores criativos.

Além disso, a secretaria tem fomentado a criação de observatórios estaduais de economia criativa para levantamento de dados. E por fim, um acordo com o CNPQ está sendo assinado para apoiar o desenvolvimento de estudos e pesquisas. “Assim, a gente começa a ter uma maior visibilidade dessa economia que em grande parte é informal”, destacou a diretora.

Um outro obstáculo está ligado ao fomento. Nesse aspecto, Luciana comentou que algumas ações têm sido desenvolvidas, como exemplo, a rede de Criativas Birôs. “Um edital está sendo lançado para apoiar incubadoras que venham a acolher empreendimentos criativos para o desenvolvimento de novas ideias e transformá-las em atividades sustentáveis. E no que se refere a formação, o Criativa Birô também trabalha com o tema e um edital de formação em gestão também está sendo lançado para profissionais de setores criativos. Também estamos com uma ação conjunta com o ministério da educação no sentido de ampliar as oportunidade de extensão universitária que seria uma nova proposta de qualificação para esse novo profissional do século XXI.”

Com relação a marcos legais, Luciana afirmou que existem alguns obstáculos. “A gente reconhece que muitos empresários criativos têm uma série de problemas tributários. Por exemplo, o regime de tributação Simples não incorpora as atividades culturais e criativas. A gente sabe que isso é um problema. A questão da importação de equipamentos e softwares que não têm similar no mercado nacional e o valor da tributação do imposto é muito elevada. Acreditamos que a desoneração tributária é fundamental para enfrentar isso. Outro obstáculo é a falta de regulamentação de algumas profissões, como o artesanato, que não está com seu estatuto aprovado. E até novas profissões como, por exemplo, webdesign e tantas outras que estão surgindo sem o amparo legal.”

A própria institucionalidade da economia criativa foi citada por Luciana como um obstáculo. “Não basta o poder público institucionalizar políticas públicas para o desenvolvimento da economia criativa. É preciso que estados e municípios também assumam o seu papel”, ressaltou.

A terceira pergunta respondida foi: “de que modo a Secretaria tem desenvolvido políticas públicas globais para os empreendedores criativos diante da diversidade dos ciclos econômicos envolvidos?”

Luciana considerou uma ótima pergunta e disse: “os setores criativos, se a gente pensar, nos jogos digitais, artesanato, na moda e nas pinturas populares, na arquitetura, a gente tem ciclos econômicos com atores diferentes, com gargalos e questões diferentes a serem enfrentados. Ao mesmo tempo temos algumas similares. Então, a secretaria começa atacando aquilo que é transversal. Identificamos, por exemplo, que a gestão é uma questão crítica para todos os setores. O Criativa Birô chega em um primeiro momento focando em formação e em gestão numa perspectiva mais ampla e na medida que vamos nos apropriando das necessidades específicas e das vocações de cada estado, vamos adaptando nossas ações e projetos. Começamos naquilo que é transversal para depois atuar no particular.”

A quarta e última questão do bloco foi: “quais as principais iniciativas para formação em gestão de empreendedores criativos?”.

Luciana comentou que já tinha respondido nas questões anteriores e lembrou os editais lançados para a área de formação e mencionou outro edital que ainda será lançado para a realização de cursos nas áreas de gestão de carreira, de gestão de empreendimentos criativos e de gestão de produção de eventos. “Estamos também ofertando formação na rede dos Criativas Birôs e estamos com uma ação com o ministério da educação no sentido de qualificar a oferta de cursos de extensão e repensar a qualificação no curso superior e na pós-graduação”.

Juliana Proserpio – Dia 3

A empresária e consultora em inovação social, Juliana Proserpio, iniciou seu vídeo do terceiro dia respondendo a um questionamento sobre como a metodologia design thinking auxilia no desenvolvimento de inovações.  Segundo ela, “o design thinking é uma abordagem, um modelo mental, que ajuda a acelerar o processo de inovação”. Ele é baseado nos pilares da empatia, da colaboração e da experimentação, como explicado em seu vídeo de apresentação, no primeiro dia do evento.

Para acelerar a inovação, é preciso entender quais são as necessidades das pessoas. A partir daí, é possível criar uma solução que vai impactar a vida delas e se tornar uma inovação.

De acordo com a consultora, algo só pode ser considerado inovador se ele for percebido como tal por outras pessoas. “Eu não posso virar e falar que meu produto é inovador, se ninguém, nenhum usuário, realmente considera que ele é inovador”, afirmou.

O modelo também ajuda a acelerar a inovação porque prevê etapas de experimentação, testes e ajustes antes que o produto ou negócio seja lançado no mercado.

Na sequência, Juliana Proserpio comentou as principais diferenças de formação entre um gestor social e um gestor tradicional. “A grande diferença entre o gestor tradicional e o gestor social é o propósito de vida dessas pessoas. O gestor social se preocupa em realmente gerar um impacto e, por isso, ele tem que ter uma formação muito mais holística”, disse.

Para a consultora, o gestor social precisa receber uma formação racional e direta e, ao mesmo tempo, mais humana. “Ele não é mais aquele líder de comando e controle, mas sim um líder que ouve muito mais e que entende muito mais quais são as reais necessidades das pessoas que trabalham com ele e das pessoas que ele está querendo impactar”, destacou.

A última pergunta também fazia referência ao papel do gestor – do líder – que pretende inserir o modelo design thinking em uma organização, tendo em vista os desafios a serem enfrentados com a mudança de cultura organizacional.  Assim como na resposta anterior, Juliana Proserpio ressaltou que o líder deve ser empático. Ele deve conseguir entender quais são as necessidades da equipe e do projeto que está liderando, bem como pensar em novas formas de incentivar a equipe a trabalhar com esse novo modelo. “Ele tem que fazer com que as pessoas tenham prazer em trabalhar”, lembrando que, dessa forma, “elas vão produzir muito mais”.

A consultora afirmou ainda que é importante que o líder ajude as pessoas a entender qual o propósito da organização e qual o propósito delas dentro da empresa. “Você vai alinhar todo um discurso para fazer com que todo mundo tenha o mesmo direcionamento dentro da empresa”, disse, acrescentando que, dessa forma, todos conseguirão caminhar juntos, levando a organização à inovação.

Minom Pinho

No terceiro dia do Papo de Negócio Sebrae 2014, Minom Pinho, sócia-diretora da Casa Redonda Cultural, consultora e produtora cultural, respondeu à pergunta: “Quais são, como funcionam e como é o acesso às fontes de financiamento para empreendimentos culturais e criativos?”

Minon afirmou que vem chamando atenção dos empreendedores quanto a diversidade de fontes de financiamento, algo já trabalhado fortemente no Business Model Generation. No Brasil, esse modelo de desenvolvimento de plano de negócio é chamado de Inovação e Modelo de Negócios e indica que quanto mais diversas são as fontes de financiamento para o empreendimento cultural ou criativo tanto mais sólido serão suas relações com o mercado.

Segundo ela, temos um retrato no Brasil da cultura ser vista como despesa pelo estado ou como oportunidade de comunicação para grandes corporações. No entanto, nos últimos tempos a economia criativa passou a ser vista como valor agregado dentro dos fluxos econômicos no território brasileiro. Nos últimos 20 anos contou-se muito com investimento social privado para ONGs, Ocips ou mesmo negócios sociais que tenham a ver com criatividade e que passam a gerar um beneficiamento para o território. Esse é indicado por Ninom como um caminho para quem deseja empreender em áreas sociais e criativas e para quem estiver interessado no tema Negócios Sociais, indicou o a leitura do site do Gife http://www.gife.org.br/

Minom lembrou que hoje é possível ver brotar toda uma lógica de negócios sociais com enfoque em fazer uma transformação social e que geram beneficiamento social em escala. E citou mais duas fontes de pesquisa para quem se interessar pelo assunto: Endeavourhttp://www.endeavor.org.br/ e Artemisia http://www.artemisia.org.br/

Sobre como ter acesso à fontes de financiamento, Ninom comentou que pode-se ter um investidor, uma empresa ou grande corporação que está interessada nos beneficiamentos sócio-econômicos, culturais e criativos dos territórios que atuam e isso gerar um investimento da empresa. Apesar de não configurar um negócio pode alavancar a montagem de negócios criativos em um dado território. Tem-se aí uma fronteira onde o criativo encontra o social e como isso gera beneficiamentos sociais em escala por meio da atuação econômica no território. O acesso a esses bens pode ser por meio de editais, prêmios ou contato com empresas que fazem esse tipo de investimento, que normalmente são a fundo perdido para beneficiamento social. Importante lembrar que esses são investimentos iniciais para a montagem de um fluxo mais permanente e mais sustentável nos territórios, contribuindo para a criação de negócios nos quais todos possam ganhar, a empresa e a sociedade.

Outra forma de acesso à fontes de financiamento, segundo Minom, é por meio de incentivos fiscais. Nesse caso, tem que passar pela complexidade da Lei Rouanet. Tem também as leis de incentivo estaduais e municipais. Em alguns estados existem leis consolidadas, como é o caso de Minas Gerais, Pará, Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia. As empresas investem em cultura e se beneficiam com abatimentos de impostos.  Muitas vezes esse modelo pode acabar gerando benefícios mais permanentes para a sociedade e para o empreendedor pois esse incentivo pode funcionar como uma alavancagem para um novo saber, para gerar inovações ou mesmo consolidar um negócio. São vários os exemplos de empresas que começaram com um projeto financiado e depois ganham sustentabilidade. Por exemplo, um projeto de um filme que é financiado e depois com o know-how adquirido, o empreendedor monta uma produtora.

Tem outro elemento que é o fomento público. São os fundos de cultura estaduais ou municipais em que o empreendedor pode ter um projeto que dialoga com as agendas culturais e criativas do governo e pode ser beneficiário desses fundos de cultura. Tem também os convênios públicos que em algumas situações é possível prestar serviços para os governos e assim o empreendedor passa a contar com essa fonte, tendo como um dos seus clientes essa prestação de serviço.

Ninom citou também o modelo de investimento anjo para startups. Um conjunto de investidores que estão em busca de negócios inovadores que possam trazer um alto retorno de forma escalável. Os investidores investem o capital no negócio e ficam sócios do empreendimento. Para isso, é preciso pesquisar esses investidores, o que eles buscam, como essa parceria se dá e se isso tem a ver com o sentido do negócio.

Tem ainda linhas de financiamento como as oferecidas pelo BNDES para aqueles negócios que têm planos bem consolidados para ampliação da empresa.

Ninom ressaltou que acima de tudo é preciso que o empreendedor entenda onde estão os valores agregados de seus produtos culturais e criativos e dentro dessas várias possibilidades de financiamento onde há convergência de pensamento, o que gera uma qualificação da busca por financiamento.

A produtora lembrou algo muito esquecido que é como esses negócios culturais podem prestar serviços para um mercado maior cultural e criativo. Pode-se ter uma agenda contínua onde as pessoas interessadas pagam por aquilo e essa será mais uma fonte de renda para o empreendimento.

Outra questão importante citada pela Minom foi sobre a necessidade de avanço do Brasil para o entendimento de que se tem um ativo cultural e criativo, tem-se uma patente, uma propriedade intelectual, tem-se um pensamento criativo. A partir desse pensamento criativo gera-se uma patente. Sempre lembrando que é também necessário pensar no conjunto de fontes de financiamento. Entender onde está o valor agregado do negócio e as múltiplas formas de se conseguir financiamento para que esse empreendimento seja sustentável a longo prazo.

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