22/07

Assista aos vídeos do dia

Juliana Proserpio

Minom Pinho

Resumo do 2° Dia (22/7)

No segundo dia do Papo de Negócio Sebrae 2014, dia 22 de julho, as convidadas responderam às perguntas dos internautas sobre assuntos relacionados com inovação social e economia criativa.

Você pode participar mandando sua pergunta para nossos convidados ou votando nas perguntas do seu interesse.  Para mandar sua pergunta, clique aqui.

Juliana Proserpio

No segundo dia do evento, a co-fundadora da empresa de consultoria em inovação social Design Echos, Juliana Proserpio, iniciou seu vídeo respondendo a um questionamento sobre o desenvolvimento dos negócios sociais no Brasil. “Ao meu ver, os negócios sociais no Brasil estão começando ainda. A gente já deu muitos passos e eles estão se tornando cada vez mais relevantes e cada vez mais lucrativos. Ao mesmo tempo, eles ainda não têm muita exposição na mídia – na mídia tradicional – e, principalmente, para o grande público”. Por esse motivo, segundo a empresária, os negócios sociais ainda são “um mercado de nicho, mas que está crescendo muito”.

A segunda pergunta esteve relacionada com a demanda por serviços de apoio à inovação social no Brasil e em outros países. Segundo Juliana Proserpio, essa demanda existe, mas ainda está invisível. “As pessoas não sabem exatamente o que é inovação social, mas a demanda do que significa inovação social existe e muito, e ela só tende a crescer”.  Para ela, é fundamental que o significado de inovação social ganhe visibilidade junto ao grande público e junto às empresas, para que possam investir nesse novo modelo mental.

Em países da Europa e também nos Estados Unidos, esse modelo é mais desenvolvido do que no Brasil. A consultora lembrou, no entanto, que esse é um mercado crescente ao qual, cada vez mais, pessoas e empresas estão se engajando.

Em seguida, Juliana Proserpio respondeu a uma dúvida sobre como mensurar os impactos sociais gerados por uma empresa. “Isso é uma discussão que está sendo gerada no mundo durante muitos e muitos anos e é muito difícil de ser respondida. Medir impacto social não é que nem medir impacto financeiro. Medir impacto social significa analisar um sistema social”, afirmou. Segundo ela, em um sistema social, tudo está conectado, todos os stakeholders estão conectados e precisam ser analisados conjuntamente.

O processo de mensuração do impacto social, de acordo com a consultora, envolve três tipos de reflexão. Em primeiro lugar, é importante entender qual é o objetivo da empresa e qual impacto social ela está querendo gerar. Juliana Proserpio lembra que impacto social significa “mudar a vida das pessoas, melhorar a vida das pessoas”. A partir daí, é preciso saber qual público será questionado sobre esse impacto: pessoas que foram diretamente tocadas nessa mudança ou pessoas que foram indiretamente impactadas. “Eu acho que é importante perguntar para esses dois atores”, disse, ressaltando que essa decisão precisa estar relacionada com o objetivo da empresa e com o que ela espera desse processo. “Normalmente, isso é medido a partir dos stakeholders indiretos. Então, por isso, é importante envolver todos eles”, completou.

Em segundo lugar, é importante saber quais são os melhores indicadores para medir essa mudança, esse impacto social. Por último, “a gente tem que pensar e analisar por onde essa mudança navegou”. De acordo com Juliana Proserpio, é preciso verificar se a mudança ocorreu localmente ou se ela se expandiu para outros lugares, atingindo indiretamente outros sistemas.

A empresária ressaltou ainda que esse processo de análise é complexo, pois as ações não podem ser analisadas separadamente. “Isso não é fácil, mas não quer dizer que não deve ser feito. Para que a gente continue fazendo inovação social, impacto social, a gente precisa saber qual foi o resultado gerado”, reforçou.

Juliana Proserpio fechou seu vídeo se colocando à disposição dos empreendedores para tirar novas dúvidas.

Minom Pinho

A consultora e produtora cultural e sócia-diretora da Casa Redonda Cultural, Minom Pinho, respondeu a um questionamento sobre o desenvolvimento da economia criativa no Brasil em comparação com outros países. De acordo com ela, a Inglaterra trouxe para o mundo a revelação de que os fluxos criativos, os ativos criativos de um território, têm cada vez mais participação no PIB (Produto Interno Bruto). Ela ressalta que se trata de “uma participação extremamente benéfica do ponto de vista da sustentabilidade, porque você trabalha com um bem infinito e intangível, que é a criatividade humana”.

Segundo a consultora, esse fluxo econômico não está amparado em bens materiais, como ocorre com grandes estruturas industriais. “Você lida com um conjunto de elementos criativos e que são fruídos, vivenciados ou mesmo transmitidos por meio digitais – hoje em dia, o conceito da economia criativa se ampara muito nas novas tecnologias”, afirmou.

Minom Pinho lembra que, na Inglaterra, falar em economia criativa ou indústria criativa faz pouca diferença, tendo em vista a existência de uma cadeia que se sustenta, com fluxo, criação, produção, circulação e consumo dos produtos ou bens culturais, que podem ser filmes, games ou grandes eventos.

No Brasil, quando se fala em indústria cultural ou indústria criativa, é preciso tomar cuidado. “Aqui a gente tem um abismo social muito grande”, alertou, acrescentando que “trazer fluxos de desenvolvimento econômico ou de aprendizado em inovação para as cadeias criativas brasileiras significa também entender que a gente tem uma diversidade enorme social”. E destaca: “a gente tem um grande desafio de incluir mais pessoas nos fluxos de renda dessa economia”.

Outra questão apontada pela consultora é a grande diversidade cultural existente no Brasil. É preciso perceber a singularidade e a diversidade de cada território. Segundo ela, é importante entender a economia criativa a partir dos ativos exclusivos e singulares de cada território, como eles ajudam a criar uma economia mais igual e levar fluxos e desenvolvimento para diferentes lugares.

Minom Pinho lembra ainda os quatro pilares básicos que norteiam a economia criativa brasileira, de acordo com a Secretaria da Economia Criativa, do Ministério da Cultura: diversidade cultural, sustentabilidade, inovação e inclusão social.

A consultora ressalta também que a “busca por uma economia criativa brasileira tem que passar pelo equilíbrio entre todos os elementos de desenvolvimento econômico e de empreendedorismo, mas também pelo entendimento de que esse pulso criativo se dá em um lugar que é um pouco diferente da lógica da reprodutibilidade industrial”. No Brasil, é importante mesclar políticas e soluções que equilibrem os conceitos de indústria criativa e economia criativa. É importante ainda, segundo ela, se apropriar dos conceitos de economia criativa, considerando a realidade brasileira.

De acordo com a consultora, o principal desafio no País é olhar para a diversidade e para a ampla criatividade existente em todos os territórios brasileiros, entendendo não somente as cadeias criativas e produtivas – e todas suas especificidades –, mas também as cadeias afetivas, “que contribuem para o PIB e também podem contribuir para aumentar a felicidade, as trocas e a melhoria de vida e bem estar das pessoas”. E conclui: “a gente ainda não tem um modelo consolidado, mas espero que a gente caminhe nessa direção”.

 

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